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IA Aplicada 16 de junho de 2026 5 min de leitura

IA agêntica em operações: por onde começa o primeiro agente

Executivos de operações costumam pedir proposta de implementação de IA antes de definir qual processo a IA vai resolver. Pedem a solução antes de escrever o problema.

O Gartner projeta que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até 2027, por custo crescente e valor de negócio mal definido (Gartner, junho de 2025). O número mede um erro de sequência: a tecnologia entra antes de a empresa definir qual decisão ela vai apoiar. Os times de trinta agentes que circulam no LinkedIn são o destino de um roadmap, e o ponto de partida é bem mais modesto.

Um agente antes do time

A arquitetura de trinta agentes é o ponto de chegada, alcançado depois que o primeiro prova valor. Começa-se com um agente, e ele precisa cobrir um processo com três características: dado estruturado disponível, necessidade de raciocínio sobre contexto, e uma decisão com prazo esperando do outro lado.

Sob a superfície, a arquitetura se sustenta em duas camadas. Um orquestrador coordena e guarda a visão completa da operação; sub-agentes especializados assumem cada tarefa única e bem delimitada. Quanto mais estreito o escopo de cada sub-agente, mais previsível e auditável fica o resultado, e é essa previsibilidade que torna o output confiável o bastante para produção.

As seis áreas

Seis áreas cobrem a cadeia da previsão à visibilidade: previsão de demanda, otimização de estoque, automação de procurement, monitoramento de disrupção, logística e distribuição, e visibilidade de indicadores. Qual entra primeiro depende de onde a dor é maior e mais mensurável.

Procurement costuma entregar o retorno mais visível para o CFO já no primeiro ciclo: RFQ estruturado e disparado sem o trabalho manual repetitivo, matching de nota contra pedido por regra com exceção escalada, e um request-to-pay que encurta de forma expressiva. A McKinsey estima 25 a 40% de ganho de eficiência na função, chegando a 50 a 65% em request-to-pay (McKinsey Global Procurement Practice, 2025).

Monitoramento de disrupção é a área que o concorrente ainda não montou. Sinais de clima, geopolítica e congestionamento de porto alimentam o plano de contingência antes de o impacto chegar à operação, rodando sobre fonte pública como ANTT, porto de Santos e INMET. Numa pesquisa do Gartner com 509 líderes de Supply Chain, o avanço de IA e IA agêntica aparece como o principal motor de performance dos próximos dois anos (Gartner, outubro de 2025).

Implicação para gestores

O erro que o dado do Gartner captura é de sequência: quando a ferramenta entra antes de a empresa definir qual decisão ela vai apoiar, o projeto vira custo sem valor definido, e é isso que leva ao cancelamento. A ordem de implementação, mais do que a escolha de fornecedor, decide de que lado dessa conta a empresa fica.

Para quem decide, o investimento começa pequeno: escolhe-se um processo, prova-se valor nele, e o roadmap cresce a partir da primeira vitória. Ajustar o processo vem antes de trocar a ferramenta.

Por onde começar

Um piloto de trinta dias decide se vale escalar, com custo de teste baixo. Escolha uma área onde a dor é frequente e mensurável, construa sobre o dado que já existe, e meça por trinta dias o que mudou: horas liberadas, erro evitado, tempo de resposta. Escale só o que provar valor.

A pergunta que separa um piloto que justifica o investimento de um que vira custo é sempre a mesma: qual processo da sua operação tem regra clara, frequência alta e uma decisão com prazo esperando do outro lado? É por aí que o primeiro agente se paga.

Este artigo foi publicado originalmente no LinkedIn — ver post original ↗